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Samuel Straioto

O apito do trem começou a soar no cerrado goiano há exatos 108 anos. No dia 27 de maio de 1912 era concluída a ponte Engenheiro Bethout, no Rio Paranaíba, uma estrutura metálica de 287,5 metros de comprimento que ajudou a tirar Goiás do isolamento, se conectando com Minas Gerais e as demais regiões do país.



Naqueles primeiros anos do século XX, o transporte era feito no lombo dos bois que puxavam os carros pelas estradas de terra, e ajudava na pobre economia de subsistência de Goiás. A chegada da ferrovia, colaborou para ser um dos primeiros meios de comunicação modernos do estado.

O pesquisador Edmar César da cidade de Araguari (MG) está escrevendo o segundo livro dele sobre a Estrada de Ferro Goyaz, “Estrada de Ferro de Goiás – As fitas de aço da integração”. Ao Diário de Goiás, ele contou uma curiosidade, de que trens chegaram aqui no estado, antes mesmo da conclusão da ponte Engenheiro Bethout.

Edmar destaca que em 20 de novembro de 1911, a Locomotiva nº 2, de nome José Jardim, conduzida pelo maquinista Henrique Neves, fez soar pela primeira vez o apito do trem em solo goiano, ao percorrer 3 km de extensão da ferrovia. A estrutura foi transportada de balsa no Rio Paranaíba, na divisa de Minas Gerais e Goiás.

“Visando manter e preservar a memória ferroviária da “Goiás”, difundir as grandes realizações da estrada e enaltecer os pioneiros e ferroviários que fizeram história sobre trilhos, o livro imortaliza os fatos históricos, registros fotográficos, depoimentos e acervos diversos da ferrovia”, detalhou.

A estrada de ferro chegou e veio avançando território goiano adentro. Cidades foram surgindo como: Anhanguera, Cumari, Goiandira, Urutaí, Pires do Rio, Vianópolis, Leopoldo de Bulhões, Bonfinópolis e Senador Canedo. Vilarejos nestes lugares também foram formados e permanecem vivos até hoje, tudo graças a ferrovia. Podemos citar, por exemplo, a Vila Galvão em Senador Canedo, ou Caraíba e Ponte Funda em Vianópolis.

Em 108 anos, o sistema ferroviário em Goiás na maior parte do tempo não teve a merecida atenção que seria necessária. Até 1914 o avanço foi rápido, mas a Primeira Guerra Mundial, o interesse pela Indústria Automobilística, as disputas políticas, entre tantos outros motivos foi atrasando a continuidade da obra e a manutenção deste sistema.


A Estrada de Ferro Goyaz colaborou com o seu papel de interiorização e desenvolvimento, mas poderia ser mais do que isso. A via não foi totalmente concluída. Ainda não há uma devida integração com a Ferrovia Norte Sul, em Anápolis, que poderia dar um fôlego.

Outro problema é a falta de investimentos. A velocidade dos trens em Goiás é baixíssima, menos de 30km/h, além disso, o pesquisador Gláucio Henrique Chaves aponta outro problema que é a o modelo de concessão, cujo transporte fica restrito a algumas concessionárias e ao interesse delas.

“Hoje a ferrovia é uma correia de transporte de empresas privadas. Ela não serve para integrar pessoas e nem para cargas, somente para os grupos relacionados a determinados tipos de transporte. Só vai mudar com um novo modelo de concessão”, afirmou.

O trem não parou, ele resiste nos corações, nas memórias, no desejo de percorrer este cerrado goiano. A reestruturação de várias estações ferroviárias foi concretizada, ainda há o sonho de implantação do trem turístico de passageiros. O projeto ainda é embrionário, mas faz que o trem continue suspirando, vivendo e alimentando sonhos.

*Artigo originalmente publicado no site Diário de Goiás


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Samuel Straioto
Jornalista, Especialista em História Cultural e Especialista em Marketing e Comunicação Digital

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